por Viviane Cabrera


Dalila tem como protagonista em sua vida o coração. Não que seja volúvel, mas a sensação vertiginosa que cada paixão causa em seu ser, viciou-a de tal forma que desvencilhar-se é algo impossível. É sua droga mais impactante. Mas há algo por trás das carcaças masculinas que a magnetiza a eles.

O dilema é a obsessão de Dalila: apenas envolve-se com homens de nome Pedro. Desde o namoradinho de escola ao ex-marido, altera-se somente o sobrenome. As manias, trejeitos, gostos...

Tudo é igual, inclusive o nome. 

Tentou interessar-se por Mários, Rodrigos, Josés, Henriques, Marcelos e afins. Em vão. Somente o nome Pedro ecoa em seus caminhos. Demora para que a moça atente a essa estranha fixação.

Porém quando assim o percebe, mais do que depressa passa a sondar seu inconsciente na esperança de desvendar o enigma que a devora.

Em seus mergulhos freudianos, percebe que sua mente manda sinais indubitáveis de uma tentativa de conexão da Dalila de outrora com a mulher que se tornou. Volta às reminiscências que deixara esquecidas num canto de sua psiquê. Ao anoitecer, enlaçada na sina de ser só, ajeita-se na cama larga, vazia e fria. Sente um quê de mofo em seu ser e começa a chorar. Sempre fora fraca. 

Talvez o que lhe falte seja justamente a segurança que jamais teve. Encontrar uma fenda em algum rochedo em que possa refugiar-se do teatro de horrores que presenciou até então. Ou talvez queira de fato descobrir a pedra angular de sua vida - tendo erroneamente projetado num homem, pois este continha a mensagem de que necessitava: a fortaleza da alma de que carecia, a parceria consigo mesma que não existia -, para assim construir a trajetória de sua existência.

Todavia, Dalila abana as mãos em frente a cabeça afastando, tal qual se afasta mosca varejeira que incomoda, os pensamentos que a tornaram ciente de sua condição. E como forma de manter aquela falsa alegria, resolve ela enterrar as conclusões a que tinha chegado. Sempre se é mais feliz quando ignoramos nossos defeitos.